Audiência
aponta falhas no combate a dengue em Mato
Grosso

Problemas
de execução nos programas,
falta de campanhas eficientes de comunicação,
ausência de política de educação,
terrenos baldios e lixos. Estes foram
alguns dos problemas apontados durante
a audiência pública, promovida
na terça-feira, para debater e
avaliar as medidas que estão sendo
implementadas pelo poder público
para evitar o avanço da dengue
em Mato Grosso. A audiência foi
promovida pelos Ministérios Públicos
Estadual (MPE) e Federal (MPF).
Para
o promotor de Justiça Alexandre
de Matos Guedes, o problema de combate
à doença é multisetorial,
pois envolve diversas áreas. “Constatamos
que além de falhas na execução
das ações, existem problemas
que devem ser enfrentados por diversos
órgãos dos poderes públicos
e não somente pelas Secretarias
de Saúde”, explicou ele.
De
acordo com dados da Coordenadoria de Vigilância
Epidemiológica da Secretaria de
Estado de Saúde (SES), até
o dia 24 de junho deste ano foram confirmados
29.977 casos de dengue clássica
em Mato Grosso. Desse número, 1.152
são considerados casos graves da
doença. Em Cuiabá, foram
registrados 9.746 casos e, em Várzea
Grande foram notificadas 2.973 vítimas.
“O
objetivo da audiência não
foi apontar os responsáveis pelas
fragilidades no combate à dengue,
mas, verificar por meio de dados técnicos,
porque o problema chegou a esse nível.
Neste ano, o aumento de casos da doença
foi muito superior ao ano passado”,
ressaltou o procurador da República
Gustavo Nogami. De janeiro a 24 de junho
de 2008, foram notificados 10.111 casos
de dengue, contra os 29.977 registrados
em 2009. Nesse caso, Mato grosso apresentou
um acréscimo de 196.47 % de notificações
da doença.
“É
necessário que sejam implementadas
ações preventivas mais eficientes,
além do controle do vetor. Um novo
surto pode ocorrer, talvez até
mais grave em 2010, por isso, a necessidade
de avaliarmos e corrigirmos as falhas
apresentadas”, destacou o procurador
do Ministério Público de
Contas, Gustavo Deschamps.
Durante
a audiência, gestores e representantes
das Secretarias Estadual e Municipal de
Saúde apresentaram as ações
que estão sendo realizadas pelas
equipes de trabalho para a prevenção
da doença. “Nesta semana,
iniciaremos uma grande campanha de comunicação
para conscientizarmos a população,
porém, vamos continuar com as atividades
em parceria com o Estado no combate à
dengue”, disse o secretário
municipal de Saúde de Cuiabá,
Luiz Soares.
Segundo
o secretário-adjunto de Estado
de Saúde, Victor Rodrigues, além
das falhas, é necessário
considerar outros fatores. “As doenças
infecciosas, como a dengue, têm
pico de sazonalidade. Não é
possível combater o vírus,
é preciso controlar o vetor. Além
disso, neste ano tivemos a reintrodução
do vírus tipo 2, o que não
ocorria há vários anos”,
disse ele. Foram constatados que com o
retorno do vírus tipo 2, as pessoas
com até 15 anos foram as mais infectadas
pela doença.
O
coordenador da Vigilância Sanitária
e Ambiental do Estado Oberdam Lira afirmou
que a situação da dengue
no estado não tem apenas uma alternativa
de controle, ela tem várias atividades
que podem ser realizadas em conjunto,
mas segundo ele, alguns municípios
não têm cumprido o programa
estadual de contingência da dengue.
Durante a audiência, o coordenador
se comprometeu a entregar um relatório
aos representantes do MPF e do MPE informando
sobre a execução do programa
por parte dos municípios.
No
entendimento do procurador Gustavo Nogami,
a responsabilidade da saúde é
de todos, em especial do Poder Público
nas três esferas, municipal, estadual
e federal, neste sentido para que haja
uma eficácia, as ações
dos três devem ser coordenadas,
complementares e o que se pretende é
identificar se isso está sendo
feito.
O
médico sanitarista e professor
do Instituto de Saúde Coletiva
da Universidade Federal de Mato Grosso
(UFMT), Elias Nogueira Peres, auxiliará
o Ministério Público Federal
como consultor técnico para verificar
se as estratégias atualmente adotadas
adequadas e se complementam no combate
à dengue.
De
acordo com o promotor de Justiça
Alexandre Guedes, o MP já tem buscado
providências para reduzir o problema.
Ele citou como exemplo, a assinatura do
Termo de Ajustamento de Conduta entre
a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente
e a Prefeitura de Cuiabá para a
limpeza dos terrenos baldios e a ação
civil pública proposta pelo promotor
de Justiça em Várzea Grande,
Carlos Eduardo Silva, que cobra ações
efetivas do município.
Para
ele, as discussões não serão
encerradas na audiência. “Conseguimos
identificar os problemas que impedem o
combate à dengue de forma eficiente.
Iremos nos reunir com o Ministério
Público Federal para definir medidas
concretas que garantem a qualidade dos
serviços prestados pelos órgãos
competentes à população”,
afirmou.