Água
previne pedra nos rins

As abomináveis
crises de cálculo renal respondem
por cerca de 300 atendimentos por dia
nos pronto-socorros de Belo Horizonte,
conforme o urologista do Hospital Felício
Rocho, Francisco Guerra. Considerada pela
medicina como a mais lancinante das dores,
ficando na frente do enfarte e da dor
do parto, a incidência da cólica
renal é mais freqüente no
Verão, observa o médico.
O médico explica que, nesta época,
há um aumento natural da sudorese,
provocando maior concentração
de urina, conseqüentemente, um depósito
elevado de sedimentos nos rins e a formação
da litíase, popularmente chamada
de pedra nos rins. O problema atinge 7%
da população brasileira
e a proporção é de
três homens para cada mulher, principalmente
entre os 20 e 50 anos.
Os
cálculos renais podem ser prevenidos
com a ingestão média de
dois litros de líquido por dia,
sendo metade água. O indivíduo
que forma um cálculo uma vez na
vida tem 50% de reincidir. "Isso
acontece porque a pessoa não corrige
os hábitos que levaram à
formação do problema",
observa.
Diversas
são as causas da doença,
mas a baixa ingestão de ácido
cítrico, encontrado em frutas cítricas,
é considerado o principal motivo.
Também o consumo exagerado ou deficiente
de cálcio pode desencadear a formação
de cálculo renal. Além disso,
a elevação do ácido
úrico na urina; cirurgias extensas
sobre o intestino alterando a absorção
e excreção de determinados
alimentos; infecção por
determinados germes e hereditariedade
podem ser causadores de sofrimento para
muita gente. Indivíduos de cor
branca desenvolvem mais o problema do
que os de outras raças, embora
não haja estudos que demonstrem
o motivo.
A
combinação de cerveja com
churrasco, para quem tem pedra nos rins,
pode ser sinônimo de tortura. Isso
porque a bebida promove maior necessidade
de urinar. Com isso, explica o médico,
a pelve renal e o ureter terão
mais espasmos e, conseqüentemente,
mais dor. Alimentos com mais sal, como
as saborosas carnes dos churrascos, requerem
maior ingestão de líquido
e, portanto, aumento da diurese. "O
sal também está relacionado
com alterações metabólicas
renais, podendo ser fator de interação
com outros alimentos, propiciando a formação
de cálculos", explica.
O
urologista afirma, entretanto, que não
há necessidade de o paciente apresentar
dor ou algum sintoma para haver o diagnóstico
de litíase e conseqüente complicação.
Os sinais estão relacionados ao
tamanho e localização do
cálculo. Francisco Guerra explica
que, se o cálculo estiver situado
no rim, o mais comum é a pessoa
não sentir dor, mas pode haver
perda de sangue na urina e infecção
no trato urinário. Já se
a pedra estiver localizada na pelve renal
e ureter, o paciente geralmente apresenta
dor lombar, semelhante à uma cólica.
Mas
se a pedra estiver no ureter médio
para baixo ou mesmo próximo à
bexiga, a dor pode ser abdominal e provocar
sintomas urinários, simulando quadro
de infecção. A pessoa vai
urinar várias vezes em pequenas
quantidades (com dor ou não), ter
sensação de querer urinar
várias vezes e de esvaziamento
incompleto da bexiga, além da sensação
de querer evacuar. Há irradiação
da dor, conforme o urologista, para a
região da genitália (vagina
ou escroto) ou parte interna da coxa.
O
médico explica que o sangue na
urina acontece pelo traumatismo que o
cálculo gera na via excretora.
"A dor se explica devido à
contração do ureter, no
intuito de fazer a progressão da
urina chegar ate a bexiga e na tentativa
de eliminar o cálculo".