Sexo
compulsivo: o prazer doentio

Esqueça
o Michael Douglas. Esqueça aqueles
filmes anunciados na locadora, apresentando
atletas sexuais e orgias. Quando o assunto
é sexo patológico, essas
são as primeiras imagens que vêm
à mente, mas não necessariamente
correspondem à verdade. A pessoa
que sofre desse mal nem sempre faz ou
pensa mais em sexo do que seu vizinho:
o diferencial está no estrago que
esse comportamento acarreta em sua vida
pessoal e profissional.
O
sexo compulsivo é algo difícil
de definir com precisão. O número
de relações sexuais por
semana nem sempre é um bom indicador
do problema, pois varia até mesmo
de país a país, segundo
a cultura. De acordo com um estudo divulgado
no ano passado, que ouviu 26 mil homens
e mulheres, entre 40 e 80 anos, em 28
países, 75% dos brasileiros entrevistados
disseram fazer sexo uma ou mais vezes
por semana. Nos Estados Unidos, essa porcentagem
cai para 59%, batendo nos 21% no caso
do Japão, ainda segundo o Estudo
Global sobre Atitudes e Comportamentos
Sexuais, pesquisa patrocinada por um laboratório
farmacêutico.
A
compulsão sexual é uma dependência,
define o psiquiatra Aderbal Vieira Júnior,
coordenador do Ambulatório de Tratamento
do Sexo Patológico, do Proad (Programa
de Orientação e Atendimento
a Dependentes), da Unifesp. "O 'vício'
em sexo é uma variante daquele
em drogas ou em jogo, o funcionamento
é o mesmo, afirma. Para o psiquiatra,
o sexo patológico é diagnosticado
quando a pessoa perde a liberdade por
não conseguir controlar os seus
impulsos.
A
advogada Angela, de 37 anos, começou
as suas "escapadas" via internet.
"Depois do trabalho, entrava em bate-papos
por distração", conta.
Com o tempo, passou a marcar encontros
com os homens que conhecia on-line. "No
começo, levava um tempo para me
acertar com eles, até ir para a
cama. Só que esse tempo foi diminuindo
e passei a marcar encontros só
para sexo fácil, rápido,
sem vínculos ou armadilhas",
relata a advogada. As "escapadas",
como diz, que ocorriam uma ou duas vezes
por semana, começaram a atropelar
a sua vida. "Para uma pessoa que
é casada, trabalha, tem responsabilidade
e rotina, dedicar-se a isso exige um esforço
significativo. Perdia noites de sono na
internet, à busca de pessoas disponíveis,
desmarcava compromissos e sem querer afastei-me
do meu marido e da minha vida. Eu considerava
que tinha um casamento bacana, uma vida
sexual legal com o meu marido, mas, mesmo
assim, tinha outra vida, cheia de riscos",
declara.