Detecção
precoce do câncer de mama tem 99%
de cura

O
câncer de mama ainda é uma
das doenças e tipos de câncer
que mais mata as mulheres em todo o mundo.
No Brasil, segundo estimativas do Instituto
Nacional do Câncer, os tumores de
mama devem atingir cerca de 49 mil mulheres
somente este ano. O risco estimado é
de 52 casos para cada 100 mil mulheres.
Na região sudeste o risco é
ainda maior, com 71 casos por 100 mil.
Mas, se a doença for detectada
logo no início, a probabilidade
de cura é de 99%.
Segundo
o diretor técnico-científico
da Fundação Oncocentro de
São Paulo (Fosp), José Antônio
Marques, tumores de mama com menos de
um centímetro normalmente têm
cura. "O câncer de mama não
tem prevenção. O que se
faz é a detecção
precoce através de mamografia seriada.
Tumores menores que um centímetro
não são possíveis
de detecção por meio de
exames clínicos e auto-exame",
alerta.
De
acordo com o especialista, a incidência
de câncer de mama está aumentando
cada vez mais. Segundo ele, a causa ainda
é desconhecida. "Talvez esteja
aumentando porque as mulheres estão
tendo menos filhos e cada vez mais tarde,
e também pelo uso de hormônios.
Mas não temos nada comprovado",
destaca.
A
mamografia deve ser feita principalmente
por mulheres acima dos 50 anos num intervalo
máximo de dois anos, segundo recomendação
do Ministério da Saúde.
Antes dos 50 anos, o recomendável
para diagnosticar nódulos na mama
é o exame clínico e o auto-exame.
"A mamografia não é
recomendável para mulheres com
idade inferior a 50 anos por causa de
densidade da mama. Em mulheres entre 50
e 70 anos ¿que é a faixa
etária mais atingida pelo câncer
de mama- o diagnóstico de tumores
é feito com maior facilidade",
explica o diretor do Fosp.
Os
tumores da mama são raros em mulheres
abaixo de 40 anos e muito raros em jovens
com menos de 30 anos. Tumores com até
dois centímetros, desde que estejam
localizados somente na mama, têm
95% de chance de cura.O câncer de
mama permanece como o segundo tipo de
câncer mais freqüente no mundo
e o primeiro entre as mulheres.
Causas
De
acordo com informações do
Ministério da Saúde, que
os fatores hormonais podem estar relacionados
ao aumento do risco de câncer de
mama. Por isso, a prescrição
de anticoncepcionais orais e reposição
hormonal deve ter o risco x benefícios
bem avaliados.
O
câncer de mama também pode
estar associado a obesidade pós-menopausa
e exposição à radiação
ionizante. Fatores de risco ligados á
vida reprodutiva da mulher e características
genéticas também podem ser
responsáveis pelo aparecimento
de tumores na mama.
Silicone
O
uso de próteses mamárias
de silicone acabou virando moda, principalmente
no Brasil. No entanto, as próteses
podem atrapalhar a detecção
de tumores ou nódulos, mas não
causam câncer, segundo diretor do
Fosp, José Antônio Marques.
"Como existem muitas mulheres com
silicone, na hora de fazer a mamografia,
em vez de quatro chapas tradicionais,
são feitas oito chapas para detectar
tumores", conta.
Precariedade
Segundo
o diretor do Fosp, José Antônio
Marques, a falta de informação
de muitas mulheres aliada a precariedade
do sistema de saúde de muitos estados
não permite essa chance de cura
do câncer, quando o tumor é
detectado logo no início da doença.
"Existem estados do Brasil que não
têm aparelho ou possuem apenas um
para atender toda a população",
comenta.
O
Estado de São Paulo é um
dos mais bem servidos no que se refere
ao diagnóstico e tratamento do
câncer. "Em todo o Estado temos
cerca de 800 aparelhos de mamografia,
somando os particulares e os que atendem
ao Sus (Sistema Único de Saúde).
Quando realizamos mutirão, contamos
com cerca de 350 aparelhos para a população",
relata Marques.
Apesar
da quantidade de aparelhos ser bem superior
a de muitos Estados, o sistema público
de saúde ainda não consegue
dar conta de todos os pedidos de exames.
Por isso, são realizados mutirões.
No ano passado foram realizados dois mutirões
onde foram examinadas cerca de 140 mil
mulheres. Desse total, quatro mulheres
em mil, apresentaram alguma alteração
no exame e foram encaminhadas para investigação
e tratamento da doença.
Ainda
no primeiro semestre de 2006 deve ser
realizado novo mutirão para a realização
de mamografia no Estado de São
Paulo.
Segundo
informações do Ministério
da Saúde, todas as mulheres que
procuram o sistema de saúde, por
qualquer razão, são submetidas
a exames clínicos da mama, pois
a prioridade para a realização
de exame de mamografia é para mulheres
que apresentaram alterações
durante o exame.
Mortalidade
As
taxas de mortalidade por câncer
de mama no Brasil ainda são elevadas.
De acordo com o Ministério da Saúde,
isso ocorre porque a doença costuma
ser diagnosticada em estágios mais
avançados. Segundo dados do Instituto
Nacional do Câncer, a sobrevida
média da população
mundial com câncer de mama, após
cinco anos, é de 61%.