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Opinião:
Nem Freud explica



     Há tempos que psicólogos, escritores e especialistas buscam respostas sobre o que é a felicidade. O mundo em suas constantes mudanças exige cada vez mais que os seres humanos acompanhem essas modificações em todos os sentidos, político-econômico e social, mas, principalmente, que nessa metamorfose evoluam espiritualmente. A preocupação em torno dessa questão especificamente, tem tomado tamanha dimensão que atualmente os livros mais vendidos no mundo são os de “auto-ajuda”. Estes são de certa forma, regras e normas manuscritas, que tentam ensinar como ser mais feliz.

    Mas, que parâmetros são usados para que se possa medir e aconselhar o que faz um ou outro mais ou menos feliz? Hoje em dia ricos sofrem bem mais de depressão e stress por falta ou excesso de alguma coisa do que os considerados “menos favorecidos”. Nem Freud em suas infinitas teorias sobre comportamento humano seria capaz de explicar. Pois, a mente humana está muito aquém de meros conceitos e suposições dirimidos como se fossem receitas de bolo.

     Muitas vezes a receita pode até ser a mesma, mas a forma como é feita é completamente diferente. E isso se aplica na íntegra aos homens e mulheres que possuem caminhos distintos a seguir embora o objetivo final seja o mesmo: ser feliz.

     Por que é tão difícil responder a uma pergunta tão simples: você é feliz? Por que com o passar do tempo, em conseqüência das próprias atitudes e escolhas do Homem, o sentido de “viver” confundiu-se com “sobreviver”, e conturbou a mente daqueles que buscam a diferença entre ser e estar. O ponto mais crítico dessa busca pela felicidade é quando passamos a medi-la não pelo que temos e sim pelo que nos falta. O relacionamento interpessoal e principalmente conjugal é um reflexo soberbo disso.

     As pessoas cada vez mais exigentes com o próximo, com o parceiro, com as possibilidades de “moldar” alguém ao seu vão gosto e ao perceber que isso é impraticável, se frustram diante dos resultados e jogam fora oportunidades que nunca mais poderão reviver. Nessa busca incessante pela felicidade muitas vezes esquecemos de quantas vezes fomos felizes.

     Como já dizia Mário Quintana, “cada vez mais você vai percebendo que, para ser feliz com outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela”. Talvez o erro esteja em acreditar e buscar a felicidade nas pessoas e nas coisas, nas posições sociais, nas colunas de jornais, e não onde menos imaginamos que ela esteja, dentro de cada um. É preciso se amar primeiro para quem sabe depois amar alguém, é preciso ser feliz sozinho para poder dividir essa felicidade com alguém. Não existe felicidade plena, pessoas completamente felizes, e sim momentos de felicidade, momentos que são únicos e não voltam, e que por isso exigem que vivamos como se não houvesse amanhã, já alarmava Renato Russo em suas canções.

     A psicanalista e socióloga Caterina Koltai, associa a felicidade das pessoas num determinado grupo às condições que o governo impõe para esse “ser feliz”. Porém, num país como o nosso, e na atual conjuntura, a felicidade parece cada vez mais distante da realidade de cada um. A menos que ela não passe de um discurso demagogo e poético como tem sido até então, ou por livros, ou por extensas reportagens, ou por artigos como este. Por que para se alcançar o que queremos precisamos abrir mão de muitas coisas, ir de encontro a muitos valores e tabus e, mudar, sempre requer um “que” de insegurança, de incertezas.

     Luiz Fernando Veríssimo já deixou o seu recado ao relatar que: “pode ser muito difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes é necessário. Existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorre-lo.

     Não procure querer conhecer o futuro antes da hora, nem exagere em seu sofrimento, esperar é dar uma chance à vida para que ela coloque a pessoa certa em seu caminho. A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna. E a felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha pra ficar e não esteja apenas de passagem”.


Alana Casanova
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