Viver
bem: Eis a questão!

Em meio a tanta
correria às vezes fica difícil
parar e pensar no que já foi feito, no
que está sendo realizado e no que ainda
há pela frente. Ao longo dessa caminhada
muitas vezes esquecemos de dar valor aos detalhes,
as pequenas coisas, a simplicidade da vida.
Entre tantos artigos, livros e revistas que
procuram sempre explicar para as pessoas como
elas devem agir, pensar, e até mesmo
sentir, fica a pergunta, o que é ter
qualidade de vida?
Há
pouco escrevi sobre a felicidade, sobre o que
ela significa e representa na vida de cada um,
e mais, sobre a busca incessante do ser humano
por essas respostas. Agora, segue um complemento
ao "ser feliz", que passou a ser a
qualidade de vida a que as pessoas se sujeitam,
ou estão inserida. Arnaldo Jabor defende
que hoje a felicidade está na relação
direta com a capacidade de não ver, de
negar, de "forcluir" como dizem os
lacanianos. Felicidade é uma lista de
negativas. Não ter câncer, não
ler jornal, não olhar os meninos miseráveis
no sinal, não ver cadáveres na
tv, não ter coração. O
mundo está tão sujo e terrível
que a felicidade é se transformar num
clone de si mesmo, num andróide sem sentimentos,
sem esperança, sem futuro, só
vivendo um presente longo, como uma "rave"
sem fim.
Em
ano de eleição então nem
se fala, a "rave" atravessa as noites,
o dia, as madrugadas. Parece que a ambição
em "acrescentar", aumentar a renda,
as possibilidades, abrir as portas, enfim, só
demonstra o quanto que a política é
capaz de influenciar uma cidade, um pequeno
município, o estado inteiro, o país
de norte a sul.
Alguns
alienados aproveitam dessa oportunidade para
extorquir o que for possível de toda
uma realidade política-social financeiramente
bem avantajada durante este período.
Agem como se isso fosse resolver tudo de imediato.
Porém, fica a indagação:
é disso que o ser humano precisa para
viver bem e feliz?
Seria
muita hipocrisia, uma imensa demagogia, defender
aqui que dinheiro não traz felicidade,
ou que não é importante, todavia,
não é tudo na vida. Se fosse,
não haveria pobre feliz, nem rico com
depressão. Pessoas freqüentando
as melhores clínicas, tomando os mais
caros antidepressivos, cheias de dúvidas
e incertezas e crentes que remédios podem
resolver.
Muito
mais fundamental do que ter ou não ter
é saber o que fazer com o que sobra,
ou com o vazio do que falta. É preciso
mediar as coisas, ponderar as prioridades na
vida. Na escala dos objetivos e projetos de
vida deve estar em primeiro plano a qualidade
de vida e os sonhos a serem alcançados.
Quem
pára de sonhar, pára de viver,
porque acha que já conseguiu tudo na
vida, que já viveu tudo que tinha para
viver, e esquece do principal: que o sonho traz
consigo a esperança e a fé, sentimentos
que por si só engrandecem a alma e fortalecem
o coração. Pois, embutido nos
sonhos e nos desejos está a humildade
em admitir que sempre haverá mais para
ser, mais para aprender, e mais para crescer.
Estamos
passando pelo extremo das adversidades, das
diferenças, dos parâmetros e acima
de tudo da relatividade. O que pode ser bom
para uns, pode também ser ruim para outros,
ou pelo menos, insuficiente. Um estado colonizado
em grande parte por sulistas atende os anseios
daqueles que vieram em busca de melhores condições
de vida, oportunidades de trabalho, de reconhecimento
profissional, e engrandecimento financeiro.
Porém,
em determinada altura da vida, a satisfação
pessoal, a necessidade em viver bem, em ter
qualidade de vida passa a latejar mais alto
no ego de cada um. Para Luiz Caversan, jornalista,
viver bem "Trata-se da sofisticação
da arte, da socialização, em que
a resposta individual positiva aos desafios
externos contamina saudavelmente todo o entorno.
Aproveite melhor a vida e batalhe por isso,
pela qualidade das suas emoções".