Se
perder, não se perca!

É tão
difícil entender a mente humana, quem
dirá os sentimentos que a regem. Isso
se for verdade que eles existam realmente nesse
lugar, ou quem sabe em qualquer outra parte
do corpo humano. Muitas vezes não sabemos,
ou melhor, não encontramos formas de
sair do buraco ou do vazio em que nos enfiamos.
Tudo parece perder o brilho, perder a cor, perder
o sentido. Dia desses ao ler um artigo de Lya
Luft, ela descreveu essas fases da vida da seguinte
forma: "Não somos apenas vítimas
de fatalidades, mas somos também senhores
de nossa vida", percebi o quão são
pequenos nossos "grandes problemas".
Às
vezes é preciso que tenhamos de enfrentar
dificuldades na vida para enxergar mais adiante
e ao mesmo tempo, saber valorizar o pouco que
já conquistamos. Olhar para trás
de vez em quando é fundamental para manter
o equilíbrio e a serenidade das ações
em andamento ou as que por ventura ainda virão.
Acredito que até mesmo as pessoas aparentemente
"consolidadas" em suas profissões
e vidas particulares, também sintam inseguranças
sempre que instigados a ousar em novos projetos.
Na hora de definir se são apenas vítimas
das fatídicas situações
do dia-a-dia ou senhores de nossa própria
vida e trajetória o medo e a incerteza
se tornam universais fazendo com que todos sejam
mais que iguais e frágeis.
Lya
conclui que o tempo passa, mas as emoções
humanas não mudam, revelando que é
preciso reaprender a ser feliz. O ser humano
ao mesmo tempo em que é bom e capaz de
se torna fútil, medíocre e por
vezes, cruel com o próximo e consigo
mesmo. Embarcado numa vida que por si só
se define como um dom, um grande mistério,
e uma eterna conquista a cada momento que passa.
E, que a felicidade é possível
e que não existe só desencontro
e traição, mas ternura, amizade,
compaixão, ética e delicadeza.
É
lamentável constatar que esses sentimentos
tão nobres, nos dias de hoje, sejam sujeitos
passivos, ocultos e tímidos. Escondidos
atrás de funções, cargos
e muitas máscaras. Com o passar dos anos
cada vez mais as pessoas "simples"
tornam-se complicadas e, cada um precisa muito
mais do que observar e viver para conhecer ao
outro ou a si mesmo. É necessário
um pouco de psicólogo, de presença
de espírito, de sensitivo, arriscaria
até: de vidente.
Pois
as pessoas estão cada vez mais individualizadas,
"virtualizadas", dependentes não
mais dos outros, mas apenas de si mesmas e de
suas próprias vontades. Ficando cada
vez mais sozinhas, independente, auto-suficiente
e capaz, simples e puramente: egocêntricas.
E,
no entanto, mal se dão conta que esta
ausência, esse isolamento de tudo e de
todos, além de prejudicar o relacionamento
interpessoal no meio em que vivem, só
faz aumentar a distância e a certeza da
realidade lá fora. E, das necessidades
vitais de todo ser humano que ainda são:
as trocas de experiências, o convívio
em sociedade, a divisão de problemas
e soluções com os outros. Fala-se
tanto de políticos e de política.
Mas se uma análise muito bruta e leiga
sobre o assunto for feita concluir-se-á
que: todos têm em si um pouco de político.
Nada mais é que possuir habilidade no
trato das relações humanas, literalmente
falando.
Todavia,
ser político requer muito mais que isso.
Exige um esforço além do que simplesmente
relacionar-se bem com os demais. A peculiaridade
dos seres humanos e "políticos"
é precisar fazer e agir, tentar, buscar,
prometer, e não cumprir! É estar
encima do muro infinitas vezes, concomitante
às opiniões, ideologias e partidos
que possuem.
Certa
vez disse-me um grande amigo: "Em algum
tempo, embora não o contabilize com disciplina
dos pragmáticos todos seremos a história
de nossas próprias ações".
E por essa razão deve-se sempre buscar
simplificar o que já é simples,
enxergar o que está sob nossos olhos,
reconhecer que nada somos além de meros
fantoches da vida real, espectadores de nossas
próprias histórias.
Fernando
Pessoa invade a intimidade de cada um quase
que de forma persuasiva propondo que as pessoas
procurem os seus caminhos, mas que não
magoem ninguém nessa procura. E, mais,
nos desafia: arrependa-se, volte atrás,
peça perdão! Não se acostume
com o que não o faz feliz, revolte-se
quando julgar necessário alague, seu
coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber
que precisa seguir, siga!
Se
estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver
tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca! Se o
achar, segure-o! Se perder o rumo: não
se perca em seus sentimentos!