Sempre à procura da Balada Perfeita...
menu.jpg
Canais:
  .:: Página Inicial  
  .:: Fale com o BaladasMT  
  .:: Agitos Anteriores  
  .:: Jaciara
 
 
   
 
  .:: Matérias  
  .:: Grêmio de Jaciara  
 
   
 
  .:: Equipe  
  .:: Garoto e Garota  
  .:: Sites Parceiros  
 
Opinião:

O jovem no cenário político e a alienação da sociedade



     O jovem da atualidade é extremamente contraditório. Na teoria são modernos, mas na prática agem como seus pais e avós. Parece que perderam a vontade lutar por aquilo que acreditam. Na verdade nem sabem, ao certo, em que acreditam. A juventude perdeu os seus referenciais e está sem perspectivas.

     Os jovens de antigamente tinham ideais e lutavam por eles. A liberdade de expressão, a liberdade sexual, liberdade de ir e vir, entre outras, foram conquistas de outras gerações. A nossa geração já encontrou “tudo liberado”, não tivemos que lutar para conseguir e muito menos fomos privados dessa liberdade. Talvez, por esse motivo, essa liberdade não faça tanta diferença assim, nem imaginamos como seja viver sem.

     Na política é onde a inexpressividade dos jovens, ou até mesmo, a desmotivação pode ser melhor comprovada. A geração de hoje é a geração shopping center. Vive sob a influência da ditadura, por isso não está acostumada ao debate. Muitos são guiados pela lógica neoliberal do individualismo. Cada um na sua, e se possível, com alguma coisa em comum. É possível, ainda, encontrar grupos de estudantes reunidos, discutindo política ou estudando o manifesto comunista de Marx e Engels, mas, a quantidade de jovens engajados caiu drasticamente nos últimos anos.

     A redução dessa participação pode ser constatada nas manifestações de rua atualmente. Hoje, ao invés de 100 mil, o movimento mal arrasta algumas centenas, o que o torna quase inexpressivo e sem força para interferir nas grandes questões políticas. A última grande conquista dos jovens, embora claramente influenciado pela mídia, foi o impeachment do Presidente da República Fernando Collor de Mello. A mesma mídia que o fez sair vencedor das eleições de 1989, foi à mesma que o derrubou no ano de 1992, quando os caras pintadas invadiram as ruas e pressionaram o Congresso Nacional, até conseguirem o que queriam.

     Os meios de comunicação contribuíram muito para o quadro atual da sociedade, de completa alienação política pela maioria da população, principalmente os jovens da sociedade moderna. Para esses, a mídia exerce um forte poder de mobilização e a classe dominante se utiliza deste recurso para manipular o comportamento das massas. Estamos acostumados a receber informações diariamente de tudo que se passa ao nosso redor e em todo mundo. Assistimos notícias, anúncios, filmes, detalhes de atores e celebridades, e assuntos gerais que ocupam o tempo e nos isolam da realidade. Toda essa comunicação nos impõe um padrão de vida e felicidade a ser alcançado, com objetivos e ideais muitas vezes impossíveis para todos, mas diante da televisão isso se torna possível.

     É fato indiscutível que a mídia, especialmente a televisão, exerce um papel fundamental no comportamento social. Percebemos que isso é verdade quando notamos que ela lança moda, dita regras, elege candidatos, destitui políticos de seus cargos, condena suspeitos (mesmo quando ainda nem foram julgados), cria e/ou destrói valores, proporciona a erotização precoce das crianças, leva ao aumento de índices de criminalidade e, o principal, induz ao consumo dos mais variados produtos. A influência da mídia na sociedade é marcante e crescente, pois é difícil para a população diferenciar o que é real do que não é somente tendo como base as versões apresentadas pelos meios de comunicação.

     Assim, os indivíduos abdicam de sua liberdade pelos meios de comunicação se deixam ser controlados. Os principais responsáveis são o governo e as classes sócio-econômicas bem sucedidas, tanto financeira como culturalmente, utilizando essas mídias de modo manipulador. A pessoa alienada perde a compreensão do mundo em que vive e torna-se alheia a segmentos importantes da realidade em que se acha inserida.

     A reverência tem caracterizado a relação da sociedade com os meios de comunicação. E reverência significa tanto submeter-se sem questionamento, a partir de determinados dogmas, quanto temer os meios -- e essa é outra forma de dar-lhes largo espaço em nossas vidas -- a ponto de gastarmos muito tempo de nossas preocupações maldizendo-os, negando-os, tranformando-os na bruxaria maior de nossos tempos: da falta de empregos à banalização da nudez, criando, portanto, uma sociedade dita sem valores; das eleições manipuladas à prática da violência; por todas as mazelas, enfim, eles têm sido responsabilizados.

     Concretamente plantados em nossas vidas, os meios de comunicação atraem para si a culpabilidade de todos os males, só que de forma pontual: os males são arrolados um a um, como se não formassem um conjunto, uma totalidade. Algum tempo, fala-se só da nudez; outro tempo, só da manipulação das eleições. Com isso, deixam-se de lado discussões absolutamente indispensáveis para entendê-los e, ao final, certamente modificá-los. Na verdade, os meios de comunicação precisam ser dessacralizados. É preciso que tomemos consciência de que eles não passam de instrumentos a serviço de políticas que redundam em malefícios e/ou benefícios à sociedade. Eles têm que ser assumidos por nós como eles na verdade são: construídos e sustentados por seres humanos.

     Se refletirmos a respeito, no final das contas, ser alienado é bom, confortável e envolve muitos ganhos para o cidadão. O fato de não se posicionar a respeito de um assunto, deixando-se levar pela opinião alheia é na verdade uma grande transferência de responsabilidade por parte do indíviduo que não deseja entrar em conflito com o mundo a sua volta. É muito mais fácil concordar com o falso senso comum, baseado em preconceitos e pseudo - valores do que "ir contra a maré", discordando e apresentando opinião contrária ao que "todo mundo pensa".

     Estar o mais informado possível e uma boa dose de coragem é imprescindível para que saiamos dessa situação de paralisia, mas isso depende principalmente da vontade de cada um. Meios de informação?! Temos para todos os gostos e bolsos, só depende de querer correr atrás e isso, ninguém pode fazer pela gente.


Larissa Prates
Voltar à página anterior
Clique aqui para Imprimir o artigo
Todos os artigos da Larissa

- Estudar pra que?
- Momento indignação
- Ser mulher nos dias de hoje
- O tempo de ser feliz
- Inveja = falta de capacidade
- Liberdade de expressão, até onde?!
- Viver pra que?!
- Ano Novo, Vida Nova...
- Votar ou Não, eis a questão
- O que é viver, afinal?!
- Que País é este!?
- Crise do agronegócio afeta o município
- O jovem no cenário político e a alienação da sociedade

banners
Publicidade:
Clique aqui para maiores informações!
Parceiros:
Destaque:
Clima:
WebMail:
    
MSN Online:

ICQ Online:

Documento sem título