Aumentam
linhas de financiamento

Investir em tecnologia
demanda sobra de caixa. Apesar do bom momento,
parte do setor ainda vê com restrições
o investimento de capital em tecnologia. Uma
boa opção é procurar as
linhas de financiamento, cada vez mais acessíveis
ao setor sucroalcooleiro.
O
gerente-executivo da diretoria de Agronegócios
do Banco do Brasil, Rogério Pio Teixeira,
informou que atualmente a linha de crédito
que tem sido bastante procurada pelos empresários
do setor sucroalcooleiro é a do Pré-Pagamento,
devido à estabilidade do dólar.
Nesta operação, cuja dívida
é feita na moeda americana, pois é
voltada diretamente àqueles que têm
contratos de exportação, o prazo
médio de pagamento é de cinco
anos, com carência de um ano e juros variando
de 7% a 9% ao ano. Os maiores interessados no
financiamento têm sido os produtores da
cana-planta, que dá origem a primeira
safra, e os empresários que têm
projetos de reforma das unidades industriais.
Segundo
Rogério Teixeira é uma operação
muito interessante neste momento em que o dólar
não tem tido grandes variações
e como está vinculada à exportação,
garante uma proteção efetiva aos
tomadores contra possíveis desequilíbrios
cambiais. A outra modalidade que tem vinculação
com o mercado externo é o conhecido Adiantamento
de Contrato de Câmbio (ACC) que atualmente
tem taxas oscilando entre 6% a 8% ao ano, mas
o pagamento deve ser feito em 12 meses.
Os
empréstimos de custeio estão disponíveis
até o limite de financiamento de R$ 200
mil por produtor para a safra 2006/07 , com
juros de 8,75% ao ano. Na colheita passada,
os plantadores podiam financiar apenas R$ 100
mil. O empréstimo deve ser pago em 12
meses.
Os
produtores de maior porte podem buscar também
os recursos da Poupança Rural do Banco
do Brasil a taxas livres, que chegam a cerca
de 15% ao ano. O gerente-executivo fez questão
de esclarecer que o banco acabou com o sistema
de mix de taxas (parte dos recursos com juros
controlados e outra parte com o custo de mercado),
pela dificuldade de pagamento por parte dos
tomadores. Com isso, atualmente os recursos
da poupança são emprestados para
complementarem o montante garantido a taxas
controladas, caso o produtor tenha margem no
limite de crédito. “O banco quer
manter a inadimplência baixa, administrando
o risco do setor, que tem sido muito bom”,
explica Teixeira.
A
Cédula de Produto Rural (CPR) Financeira
é uma outra alternativa de financiamento
com encargos variando de 15% a 16% ao ano, e
o seu prazo de quitação é
de 12 meses. Teixeira lembrou que o juro nesta
operação já chegou a ser
de 28% ao ano mas o corte foi possível
com a redução do custo do aval.
Para completar as modalidades de financiamento
disponíveis, existe ainda a possibilidade
das usinas fazerem estocagem da produção,
pagando a variação da TR mais
12% a 14% ao ano. Se o governo abrir uma linha
de estocagem de etanol como a que foi pleiteada
no ano passado pelos produtores do setor, e
não foi aprovada pelo Ministério
da Fazenda, a taxa da operação
ficará ainda mais baixa.
E
as opções não ficam restritas
às instituições públicas.
Bancos privados também estão abrindo
seus cofres para financiar o setor. No primeiro
semestre do ano, a área de Estruturação
de Projetos e Concessões do Unibanco
contabilizou R$ 800 milhões em assessorias
que visam implementar, expandir e reativar unidades
de três empresas do setor sucroalcooleiro
– um total de oito projetos.
O
Unibanco tem atuado junto ao segmento sucroalcooleiro
desde o ano 2000. "Somos pioneiros no desenvolvimento
de projetos de ampliação industrial
e implantação de unidades de co-geração
neste segmento", afirma Carlos Mellis,
superintendente de Estruturação
de Projetos e Concessões do Unibanco.
Hoje,
o maior destaque é a operação
da Usina São João (USJ) - Açúcar
e Álcool, empresa com sede em Araras
(SP) e que em 2005 decidiu expandir sua capacidade
de produção por meio da implantação
de uma unidade totalmente greenfield (nova,
construída do zero). Com investimentos
de R$ 300 milhões, a planta deve ser
inaugurada no início do segundo semestre
de 2006.
Nesta
operação, a área de estruturação
de projetos do Unibanco participou das discussões
estratégicas da empresa, envolvendo itens
como a localização do site do
projeto, melhores soluções logísticas
para escoamento da produção, estrutura
societária da nova unidade, decisão
de forma de entrada em leilões de comercialização
de energia, além dos trabalhos envolvendo
estudos de viabilidade e de capacidade de alavancagem
da empresa e do projeto.