Brasil:
ONU certifica 66 projetos de redução
de CO2

O Conselho Executivo
do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)
das Nações Unidas certificou até
a última sexta-feira (30/11/07), 66 projetos
brasileiros de crédito de carbono. Os
projetos são iniciativas que reduzem
a emissão de gases de efeito estufa,
considerados responsáveis pelo aquecimento
global.
Ao
serem certificados, os projetos transformam-se
em Reduções Certificadas de Emissões
(RCEs), créditos virtuais de carbono
que são vendidos para países desenvolvidos.
Os países ricos têm interesse na
compra porque precisam cumprir as metas de redução
de gases impostas pelo Protocolo de Quioto.
O
Brasil ocupa atualmente o terceiro lugar em
número de projetos em todo o mundo. São
255 projetos do país no MDL (dos quais
66 têm a certificação).
Em primeiro lugar, está a China com 874
projetos e, em segundo, a Índia com 776.
Segundo
o assessor técnico do Ministério
de Ciência e Tecnologia (MCT), Gustavo
Mozzer, que integra o Comitê Interministerial
de Mudança do Clima (CIMGC), o número
coloca o Brasil em destaque no cenário
internacional.
"É
um posicionamento muito bom porque estamos logo
depois da China e da Índia. Os dois países
têm matriz energética bastante
dependente de combustível fóssil
(poluente) e é mais fácil fazer
um projeto de MDL lá do que aqui. Isso
acontece porque o Brasil já tem solução
mais limpa de produção de energia
cuja matriz é hidrelétrica",
explicou o assessor.
Para
receber a certificação das Nações
Unidas, o projeto de desenvolvimento limpo precisa
vencer sete etapas: elaboração
de concepção de projeto, validação,
aprovação pelo CIMGC, submissão
ao Conselho Executivo para registro, monitoramento,
verificação/certificação
e concessão das RCEs.
Em
setembro, a prefeitura de São Paulo vendeu
por R$ 34,5 milhões os RCEs da usina
que produz eletricidade a partir da queima de
gases produzidos no Aterro Sanitário
Bandeirantes. Os créditos foram adquiridos
pelo banco holandês Fortis Bank NV/AS
em um leilão na Bolsa Mercantil e de
Futuros (BM&F). Foi o primeiro leilão
do tipo no mundo.
O
MCT não tem o balanço das vendas
feitas por empresas brasileiras que têm
RCEs. Mas existe um dado que pode demonstrar
o tamanho desse mercado: o Brasil emite por
ano 12,2 milhões de RCEs.
"Se foi cobrado o mesmo preço com
que foram vendidos os créditos de carbono
na BM&F, pode-se considerar que as empresas
faturaram R$ 300 milhões com a venda
dos RCEs no Brasil", calcula Gustavo Mozzer.
Qualquer empresa pode apresentar um projeto
de MDL.