Jaciara - MT,
   
  Enquete
 
 
 
Jaciara Agora
 
Câmara de Jaciara aumenta Verba Indenizatória dos vereadores para R$ 3500 e mesa diretora altera projeto e deixa a casa com o maior prazo de férias da região

Postado em: 19/02/2018 15:05:42

A velha máxima de dizer que o ano novo no Brasil só acontece de forma plena após o Carnaval parece se fazer valer em Jaciara, ao menos no que se refere a sua Câmara de Vereadores. Enquanto as Câmaras Municipais de Primavera do Leste, São Pedro da Cipa, Campo Verde e Rondonópolis já retomaram suas atividades, a Câmara de Jaciara só retorna no próximo dia 20, terça-feira. O recesso parlamentar de 60 dias só se comparam a de cidades como Juscimeira que volta no dia 23, levando em conta que se trata de uma cidade de pouco mais de 11 mil habitantes. Menos da metade da população de Jaciara.

A situação só não é pior que o caso da Assembleia legislativa do Estado do Mato Grosso que já deveria ter voltado no dia 9 de fevereiro, mas já está duas semanas sem funcionamento simplesmente por falta de quórum.

Em Jaciara a redação do Diário de Mato Grosso conversou com o vereador, Charles Fernando (PSDB), que afirma ter apresentado um projeto logo no início de 2017 para que se alterasse o artigo 44 da Lei Orgânica, que estabelece o período de recesso parlamentar. O projeto buscava ampliar o tempo de funcionamento da Câmara diminuindo de 60 para 30 dias o período de recesso parlamentar dos vereadores.

Segundo Charles o projeto foi aprovado pela câmara em abril de 2017. Entretanto, em dezembro de 2017 o artigo foi novamente alterado pela Lei Nº 1801 e o recesso parlamentar de 60 dias voltou. “Porque se fala muito que o vereador ganha bem e trabalha pouco e minha intenção era mudar essa imagem em Jaciara. Desde que assumi o mandato na Câmara, eu me posicionei contra esse recesso parlamentar de 60 dias. E por esse motivo apresentei um projeto de lei em março de 2017 que diminuiria de 60 para 30 dias o recesso. O projeto foi aprovado. Infelizmente, em dezembro, a mesa diretora colocou um projeto em que se alterava novamente o artigo para que retornasse aos 60 dias de recesso. A alegação foi a questão financeira. Disseram que não tinham condições de manter a Câmara funcionando neste período. O que, na minha opinião, não está certo. Se foi aprovado no início do ano, dava tempo de se adaptar. Eu votei contra os 60 dias de recesso parlamentar e continuo sendo contra. Acho que isso prejudica a imagem dos próprios vereadores e prejudica o funcionamento da Prefeitura porque atrasa a aprovação de projetos, por exemplo”, afirma o vereador.

Mesmo alterado, artigo 44 determina que a “Câmara Municipal reunir-se-á ordinariamente de quinze de fevereiro a trinta de julho e de primeiro de agosto a quinze de dezembro”. A sessão de 15 de fevereiro, entretanto, não aconteceu.

Embora o argumento para a manutenção do recesso de 60 dias tenha sido evitar aumento de custos para o município, o valor da Verba Indenizatória, ou seja, quando a Câmara Municipal indeniza os vereadores, até um limite estabelecido, por despesas que eles realizem diretamente, desde que em decorrência do exercício do mandato e desde que se refiram a materiais ou serviços não disponibilizados a eles, aumentou de R$2500 para R$ 3500. Esse aumento foi aprovado por maioria na Câmara Municipal. Com a Verba Indenizatória, o salário dos vereadores que é de R$ 5000, pode chegar a R$8500 mensais. A aprovação não foi unânime, os votos contra foram de Cleiton Godoi, Charles Fernando, Rodrigo Francisco (Tonicão) e Antônio Zanin Marçal (Toninho). “Votei contra esse aumento porque a gente vê a dificuldade que está o município de tocar as obras por falta de recursos. Muitas dívidas de fornecedores até da gestão passada e a gente sabe que, aumentando as despesas na Câmara, o prefeito precisa aumentar o repasse também. A gente vê essa crise política que está no país e quer fazer nossa parte para mudar”, explica Toninho.

População lamenta

A reação da população de Jaciara não foi de felicidade e nem de satisfação. Para o pedreiro, Luiz Carlos Martins, morador do bairro Flamboyan, estamos vivendo um momento em que a imagem dos políticos no Brasil está manchada. “A gente vê tanta coisa triste acontecendo em Brasília, mas espera que os vereadores sejam diferentes porque são mais próximos, são pessoas que a gente vê andando na rua, conversa. Eles sabem que a nossa cidade precisa do trabalho deles”, conta.

Já a moradora do bairro Santa Rita, Jovelina Pacheco dos Santos, a Dona Quinha, se diz decepcionada. “Aí, não dá. Isso não está certo. Nós votamos neles e queremos vê-los trabalhar”, ressalta.

Fonte: Clinton Davisson - O DIÁRIO DE MATO GROSSO
 

 
0 Comentário(s)
 
Postar Comentário
 
Nome:
E-mail:
Comentário:
 
 
Veja Também

2