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O MERCADO ENERGÉTICO BRASILEIRO: UMA ANÁLISE SOBRE A COMPANHIA ENERGISA S/A

Postado em: 08/11/2019 17:14:37

A ENERGISA, como a grande maioria das pessoas conhece, é uma grande concessionária que atua como fornecedora de energia elétrica no estado de Mato Grosso e outros 10 estados.

Nos últimos meses a concessionária vem sendo alvo de muitas críticas pela sequência de possíveis altas nas contas de energia, o que influencia negativamente nos orçamentos familiares e gera um acréscimo no preço de produtos e serviços, afinal a energia elétrica a exemplo dos combustíveis, influencia diretamente na economia nos mais variados produtos e serviços. Sobretudo, este artigo não analisa o comportamento de preços praticados pela ENERGISA, mas sim avalia alguns dos resultados econômico-financeiros obtidos pela empresa nos últimos anos e suas consequências negativas para a economia nacional.

Por se tratar de uma S/A (Sociedade Anônima) e comercializar ações na bolsa de valores, a empresa publica anualmente seus balanços e resultados, conforme preceitua o art. 133, § 3º da lei 6.404/76, conhecida como Lei das S/As. As informações abaixo foram extraídas dos respectivos balanços: Em bilhões de reais 2015 2016 2017 2018 1- Receita Operacional Bruta (Faturamento) 18,859 18,234 20,348 23,685 2- Lucro Líquido 0,3514 0,1958 0,5726 1,1800 Entre 2015 e 2018 a ENERGISA obteve o Lucro Líquido Médio de 0,547 bilhões de reais (QUINHETOS E QUARENTA E SETE MILHÕES DE REAIS) por ano. O aumento no Lucro Líquido entre 2015 e 2018 foi de 236%, quando a empresa atingiu a marca de quase 1,18 bilhões de reais (UM BILHÃO CENTO E OITENTA MILHÕES DE REAIS). Dos 7,7 milhões de clientes, apenas 44 mil são indústrias, 0,56%. Sob a ótica do consumo a indústria representa em torno de 7% da demanda total. Em termos de faturamento a participação na receita com energia vendida às indústrias é 6,24% do total faturado, totalizando 1,5 bilhões de reais. O Grupo ENERGISA possui 13 concessionárias em 11 estados brasileiros. A empresa estima que atende em torno de 20 milhões de pessoas, o que representa 10% da população brasileira.

Todas estas informações constam no balanço 2018. Pelo fato das atividades de geração e distribuição de energia gerar baixa demanda por mão de obra, acredita-se que os lucros obtidos pela companhia ENERGISA não são justificáveis sob o aspecto da economicidade, tendo em vista ser uma concessão de serviço público. A empresa gera em torno de 19 mil empregos, o que equivale à geração de 1 emprego para cada 1,25 milhões faturados anualmente, um indicador muito baixo se comparado à indústria ou comércio, por exemplo. Para se fazer um comparativo, a Móveis Gazin em seu balanço 2018 publicado, onde se consolida indústria, atacado e varejo, dentre outras atividades, obteve um faturamento de 4,3 bilhões para 8.189 empregos diretos, o que corresponde a geração de 1 emprego para cada 525 mil reais faturados, o que significa que gera mais que o dobro de empregos quando comparado à ENERGISA em relação ao seus respectivos faturamentos.

Quando se compara o Lucro Líquido da ENERGISA de 1,18 bilhões de reais com a Receita de Vendas de energia para a indústria que foi 1,47 bilhões em 2018, constata-se que o Lucro Líquido da empresa corresponde a 80% da Receita relativa ao fornecimento de energia para a indústria. Caso o Lucro Líquido fosse suprimido em 50%, ou seja, fosse de 590 milhões de reais, e os demais 590 milhões fossem transferidos como forma de desconto subsidiado à indústria, o setor industrial poderia ter uma capacidade de geração de aproximadamente 37 mil empregos com salário mínimo. Caso o Lucro fosse reduzido ainda mais, em 75%, a capacidade de geração de empregos seria de aproximadamente 56 mil e ainda assim a ENERGISA teria um Lucro Líquido de 295 milhões de reais em 2018.

Considerando estes números observa-se que não apenas as altas nas faturas de energia - que estão tirando poder de compra das famílias - são prejudiciais à economia, mas o sistema energético como um todo. Por estas e outras questões os sistemas de geração e transmissão de energia precisam ser revistos e reestruturados, e os meios economicamente viáveis, subsidiados e fomentados, como é o caso da energia solar, eólica, aproveitamento de resíduos, dentre outros, pois o custo econômico-social do atual sistema energético é um grande entrave ao desenvolvimento econômico brasileiro.

 

 

 

Paulo Franco Economista (UNEMAT - Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus Sinop) MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria (Universidade de Cuiabá- Campus Rondonópolis) Educação Executiva (Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa – São Paulo) Atualmente ocupa o cargo de Assessor Especial de Relações Governamentais junto ao Governo Municipal de Jaciara e presta consultoria em projetos de investimentos. FONTES: https://ri.energisa.com.br/ptb/7380/DemonstracesFinanceirasAnuaisCompletas_2016_ESA_CM_Bolsa.pdf https://ri.energisa.com.br/ptb/9588/671906.pdf https://grupogazin.com.br/balanco_social/balanco2018.pdf

Fonte: Paulo Ricardo Franco
 

 
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