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Opinião:

Escolher ou ser escolhido



     Nem sempre é possível fazer determinadas escolhas, pois às vezes: se é a própria escolha. Entre tantos conceitos e até mesmo alguns devaneios fica a preocupação em “ser” e não apenas em “estar”.
Porém, ser o quê? Ou para quem? È sobre essa ótica que surge a incógnita, de que nem sempre é possível fazer certas escolhas, e que a história do mundo comprova essa afirmação.

     Assistindo o filme “Cruzadas”, num tempo em que a religião pré-determinava as ações pessoais e políticas, é possível rever que mesmo em tempos remotos, onde já se existia nessas condições: em meio à contradições entre preferências, vontades, dileção e principalmente o respeito aos direitos humanos e a crença de cada um.

     Os escombros dessa época revelam a peregrinação de judeus, cristãos e mulçumanos a Jerusalém por acreditarem que tanto os lugares onde os “santos” viveram, como os objetos que utilizavam eram sagrados e a veneração os levava ao perdão de seus pecados. Sentimentos que com o passar dos anos foram se distorcendo e difundidos junto ao capitalismo que se instalava e com ele todas as ideologias de poder, de produção, de lucro, de interesses e acima de tudo, individualismo.

     Isso acontecia na Idade Média e na Terra considerada “Santa”, onde a guerra prevaleceu como vontade divina e por “ela”, os peregrinos caminharam rumo a Jerusalém seguindo determinações do papado. Os guerreiros da cruz (e por isso cruzada) e defensores do cristianismo, viveram por um idealismo que não escolheram, mas sim que foram escolhidos, mesmo que para isso fosse dado o início a séculos de luta e de grande massacre.

     As raízes históricas nos deixam a herança que tanto reclamamos e muitas vezes com indignação reagimos aos fatos e à realidade.

     Esse questionamento de tudo e todos, da sociedade, das pessoas e seus comportamentos, dos relacionamentos interpessoais, nos levam a certeza de que nada somos se não um ancoradouro que tem afixado, aglutinado em si às informações, à cultura, às ideologias que lhe foram embutidas com o passar dos anos. E que hoje, como seres modernos que somos, ainda convivemos com essa bagagem e nesse emaranhado de acontecimentos e fatos que mudam a descrição da vida a cada dia, porém a essência ainda é a mesma.

     Os espíritos revolucionários de Che Guevara, de Gandhi, se perderam no tempo e no espaço onde não cabem mais grandes pensadores, eternos filósofos, importantes pesquisas são descobertas.

     A mera reprodução dos fatos há muito invade e toma conta massificando e banalizando a cultura, a informação, o intelecto, a busca pela criação e o investimento em “cabeças pensantes”, em formadores de opinião, em agentes atuantes e participadores da história, em seres capazes de mudar e de ser e não apenas de estar. Para isso é necessário fazer a própria escolha e não apenas deixar que séculos se passem sem que nada tenha mudado e acrescentado na história da vida, do país e do mundo.


Alana Casanova
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