Tanto
quanto pudermos

"Fazer o
bem sem olhar a quem" tem ainda algum significado?
Será que as pessoas têm feito tanto
quanto podem? Foi na busca dessas e de outras
tantas respostas que pude perceber o quanto
a vida é diferente dos acanhados e limitantes
conceitos e princípios que aprendemos
na nossa infância. Àqueles que
nos deixam presos às regras tornando-nos
incapazes de conhecermos nossa verdadeira natureza
e com ela o manancial de forças que estão
apenas adormecidos dentro de cada um de nós.
Em
tempos modernos o individualismo infelizmente
prevalece. Entre explicações e
pretextos que justifiquem a prática do
isolamento humano, a ausência de relacionamento
interpessoal com afeto e confiança, da
inexistência de dependência do outro,
da preocupação e compaixão
com o próximo, é preferível
acreditar que tudo não passa de uma fase
ruim, ou seja, a realidade de hoje faz parte
de um processo muito maior que nos trará
ainda surpresas agradáveis.
O
capitalismo alimenta uma inversão de
valores onde somos vistos e classificados pelo
que temos e não pelo que somos. De certa
forma isso direciona o Homem a conquistar coisas
e não mais pessoas ou sentimentos. Parece
que a sensibilidade desapareceu e como bonecos
respondemos apenas ao manuseio norteado pelas
regras sociais. Tudo leva a crer que a vida
está passando rapidamente e, algumas
pessoas estão perdendo parte importante
dela por pensarem apenas em si mesmo.
O
reflexo de tanta indiferença está
nas ruas, nas notícias, nos fatos que
nos deixam perplexos, atônitos, buscando
razão ou causa para tanto efeito. Mas,
por que ignorar a realidade promíscua
que separa sem piedade pessoas por: classes
sociais, cor, credo, status e desacreditar que
direta ou indiretamente todos nós temos
algo a ver com tudo isso? Será que temos
feito tanto quanto podemos para mudar essa situação?
Há
uma discrepância enorme entre a teoria
do bem-comum e nossas ações para
executar esse conceito. Enquanto não
pusermos nossos princípios em prática
continuarão sendo apenas princípios.
Nossa atividade humana é potencialmente
valiosa e nobre se soubermos utilizá-la
para benefício do bem estar de todos.
Dalai Lama declara que a falta de sentimentos
humanos básicos podem ser agentes futuros
de uma revolução social sem precedentes.
Segundo ele, a família humana é
muito maior e mais universal que todas as ideologias,
religiões, partidarismos, política
ou economia.
A
vida só se sustenta por que cada ser
vivo faz a sua parte e cumpre seu papel. Nosso
sucesso pessoal nesta "missão de
viver" depende da nossa vontade de querer
melhorar a vida como um todo. Cada um colhe
resultados de suas atitudes e pode fazer disso
uma oportunidade de progredir como pessoa, de
alcançar a felicidade. Uma das origens
da infelicidade está justamente na lacuna
que costuma haver entre o modo como percebemos
os fenômenos e a realidade de uma determinada
situação, quando nem sempre nossas
expectativas são atendidas ou superadas.
É
possível e necessário ampliar
as perspectivas a cerca da família humana,
pois a vida nos prova a cada dia que não
podemos nos tornar prisioneiros de nossos próprios
medos e anseios. Usando o pretexto de evitar
erros e sofrimentos futuros oriundos das mudanças,
as pessoas ficam paradas no tempo sem coragem
de agir, sem coragem de viver. Por isso, faça
tanto quanto puder, para si e para o próximo,
antes que seja tarde demais!